domingo, 5 de junho de 2011

de mãos abertas.


De repente é como se chorar fosse banal, como se a tristeza fosse uma palavra demasiado leve.
O que eu sinto é quase irreal, fugiste entre os meus dedos e eu pensei que já estavas caído no chão, continuei a procurar-te, durante todo este tempo, em cada canto em cada falha de um chão de madeira, procurei te durante meses, durante noites sonhei em encontrar-te, até que um dia desisti, ou na minha mente essa tenha sido uma boa maneira de não pensar que por fim te tinha mesmo perdido.
Hoje abri de novo as minhas duas mãos e dei conta que continuavas na palma da minha mão, e fiquei radiante por finalmente te ter encontrado, até que surpreendentemente outra pessoa desconhecida chegou diante de mim, e sem nada dizer, abriu para mim as suas mãos, parece que afinal tu já te tinhas encontrado sozinho, e aí dei me conta que tudo o que estava na palma da minha mão era esperança, era lembrança que um dia pudesses ser realmente tu.
Um dia alguém me disse que mantinha a sua esperança e quase chamava a essa pessoa de tola, subestimei o poder de um sentimento, que existia dentro de mim, e que aqui viveu durante meses, desliguei o coração do cérebro, não falei sobre o assunto, pintei toda aquela pessoa de transparente, e empurrei essa figura para o esquecimento, o cérebro esqueceu, mas o coração não obedeceu só hoje ele percebeu que me pertence a mim, porque até então ele viveu todos os dias para ti.   
 Hoje explico o meu silêncio, o meu choque e esta dor que cresce dentro de mim, quase como o romper de um vazio por dentro, com o encarar da realidade, hoje fechei as minhas mãos, porque me encontrei.  

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