quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

de uma janela

O dia estava quente, diferente de todos os outros em que o sol se escondia por detrás das nuvens, hoje finalmente, o sol mostrava-se vergonhosamente por detrás destas, e timidamente aquecia-nos.
Pelo que a minha mãe me anunciara era um perfeito dia para as limpezas. Qualquer roupa servia, o som do rádio consideravelmente alto, como nunca poderia deixar de ser.
Apesar de cumprir sempre as tarefas domésticas, hoje não era de longe o dia que me apetece se faze-las, assim cada música mais lenta e triste era sem dúvida uma boa desculpa para uma pausa e reflexão.
 Sentei-me na janela, num olhar vazio para o exterior, poderia passar ali horas sem fim só com os meus pensamentos.
Lá fora o dia continuava radiante, os skaters mostravam-se empenhados em fazer as suas manobras, e tal como eu, eles, também podariam, estar ali horas a batalhar por uma manobra bem sucedida.
Nos bancos estavam um casal, pareciam estar num mundo á parte, soltavam sorrisos parvos muitas vezes em brincadeiras sem a mínima piada, talvez no mundo deles essas fizessem todo o sentido. 
Do outro lado observava também os velhotes, a jogarem a sua sueca debaixo de um sol fraco, que os aquecia num inverno tão rigoroso. Os cães corriam livremente uns atrás dos outros, deixando-se rebolar na relva.
Dei por mim a sorrir não foi pelos skaters nem pelo casal ou pelos velhotes ou mesmo pelos cães, mas sim pela dedicação e esforço, pelo amor e entrega, pela sabedoria e simplicidade, na alegria de viver, tudo numa paisagem completa de vivacidade mostrada por uma janela.   

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